Transfiguratio, The

Um solitário e introvertido adolescente negro vive obcecado com a ideia de ser vampiro e que regularmente coloca em prática, assassinando pessoas para depois lhes sugar o sangue. Vai conhecer uma adolescente branca também desadaptada da realidade, com quem vai ter uma relação de amizade e namoro que só poderia ser pouco convencional.

O filme perturba pelo contraste entre a candura do jovem interpretado pelo jovem actor Eric Ruffin e a naturalidade cruel com que comete vários assassinatos.
Uma auspiciosa estreia do realizador Michael O'Shea.

Infinity Chamber

Um homem acorda preso dentro de uma cela hi-tech, sem saber porque razão ali foi parar. Como unica companhia tem um computador falante que serve de assistente pessoal para lhe garantir as necessidades básicas dentro da cela. A unica recordação que tem do seu passado é a dos momentos que antecederam a sua detenção, que revive vezes sem conta, sempre com pormenores diferentes...

O filme decorre praticamente sempre entre as quatro paredes da cela e apenas com o ator Christopher Soren Kelly, com uma representação muito eficaz.
É interessante o jogo psicológico que o detido tenta fazer com a inteligência artificial do computador para que este o liberte e os flashbacks de acontecimentos onde a realidade e a ilusão se confundem...


Man of Steel | Homem de Aço

Vivendo incógnito na sociedade, Clark Kent vai conhecer as suas origens e assumir a sua condição de super-herói, combatendo um grupo de conterrâneos que pretendem exterminar os terraqueos e fazer da Terra o seu novo lar...

A transformação que tinhamos assistido em Batman, nos filmes de Christopher Nolan, acontece aqui neste Man of Steel: a humanização do herói, a transformação do filme de super-heróis num filme para adultos (não confundir com filme xxx de adultos).
Mais do que as façanhas e piruetas do super-homem, é a densidade psicológica que Nolan (aqui como co-autor da história) introduz na personagem, explorando as suas origens, e a sensação de desamparo e desepero que consegue imprimir à história, que fazem a diferença.
É pena que atrás da camera tenha estado Zack Znyder que já provou ser capaz do melhor (300 e Watchmen), do pior (Sucker Punch) e, agora, do mediano.

[spoile zone] no final, ao contrário do que acontece nos comics, Lois Lane fica a saber que o jornalista Kent é de facto do super-homem. 

Bar, El | Bar, The

Os clientes de passagem por um vulgar bar de Madrid ficam atónitos quando um deles, ao sair, é alvejado a tiro na cabeça e toda a rua fica subitamente sem transeuntes. Um segundo cliente sai do bar para auxiliar o primeiro e também é alvejado. O medo instala-se entre os clientes, sem saberem o que se está a passar...

Na tradição dos REC mas desta vez sem ser filmado na primeira pessoa, temos agora uma variação sobre o tema e no cenário das epidemias globais onde alguns têm de ser sacrificados em prole do bem comum.
A composição das personagens foi puxada até ao limite do rídiculo contribuindo para uma entrada mal conseguida no território da comédia negra. A reações das personagens que servem de pretexto para a história progredir são demasiado irracionais e a camera está sempre excessivamente próxima captando uma hiper-expressividade que era desnecessária. Se no caso dos planos da atriz Blanca Suárez até não nos importamos, já ter que gramar com a visão constante dos dentes podres do sem abrigo que passa o filme a recitar passagens da bíblia, é demais.

Shape of Water, The | A Forma da Água

Uma criatura humanóide aquática é capturada e trazida para umas instalações militares secretas onde é maltratada pelo chefe de segurança do local. Uma das senhoras das limpezas, que todos os dias de manhã se masturba na banheira e cujo melhor amigo é um gay na meia-idade, vai-se apaixonar pela criatura...

Filme levezinho, como se Steven Spielberg e Jean Pierre Jeunet se tivessem fundido num só. Como a água e o azeite não se misturam, o resultado não podia ser bom.
Tem uma lamentável e inesperada cena musícal e a atriz gata burralheira não ajuda. O filme só é suportável pelas injeções de bom  humor prestadas pela empregada de limpeza negra.

[spoiler zone] É estranho como é que a empregada de limpeza engendra um auspicioso plano para libertar a criatura e não se lembra do básico: como a libertar das correntes. Não fosse o cientista soviético espião aparecer inesperadamente com uma chave e hoje só já encontravamos a criatura em latas de conserva.

Idi i smotri | Come and See | Vem e Vê

No decorrer da Segunda Guerra Mundial, depois de encontrar uma arma, um jovem bielorusso ganha o direito de, contra a vontade da mãe, se juntar à guerrilha que combate o invasor exército alemão.
Por ser demasiado novo não vai entrar numa missão dos guerrelheiros. Ficando na base, encontra uma jovem loira traumatizada pela guerra com quem vai fugir depois de um bombardeamento alemão. Durante a fuga volta à sua aldeia para descobrir que todos foram assassinados...

Terão sido mais de 600 as aldeias destruídas na Bielorussia à passagem do exército alemão, aquando da invasão da União Soviética. Será difícil de imaginar que o ambiente vivido naqueles momentos fosse diferente daquele que o filme consegue tão bem recrear.
Talvez um quarto do filme se demore nessa cena da destruição e assassínio dos habitantes duma só aldeia que decorre até quase ao fim. Segue-se depois a vingança e uma interessante cena onde o jovem dispara contra a fotografia de Hitler, enquanto vemos imagens cronológicas da guerra e do ditador em rewind, até ao momento em que aparece a sua fotografia de bebé e param os tiros...
Apesar do lirismo surreal dos diálogos, o realismo é o ponto forte deste filme, que conta também com uma fabulosa interpretação do jovem guerrilheiro, o actor Aleksey Kravchenko.


Chronicle | Crónica

Durante uma rave party de estudantes, três amigos descobrem no interior de uma gruta ali perto um meteorito com luzinhas que terá caído do espaço.
Depois de tocarem no artefacto espacial desenvolvem a capacidade de deslocar e levitar objetos. Começam a aprefeiçoar as suas novas habilidades, transformando-se em autênticos super-heróis...

Depois de uma introdução clichet ao filme de adolescentes liceais, temos um desfile de macaquices que mais parece um catálogo promocional de uma empresa de efeitos especiais.

Logan's Run | Fuga no Século XXIII

No futuro a humanidade vive uma existência idílica numa grande cidade protegida do mundo exterior. Por uma questão de controlo populacional as pessoas só vivem até aos 30 anos.
Chegada essa idade, entram num ritual chamado "Carrossel" que supostamente lhes dará uma nova vida mas é apenas um pretexto para as matar...
Um dos polícias do local vai infiltrar-se na "resistence" e acaba por se converter...

A premissa até era interessante e a visão futurista dos décors made in anos 70 impressiona. Mas muito provavelmente a fuga, que está no título, seria do cinema! Estamos na presença de um filme aborrecido, com longas cenas que abusam da monotonia, um verdadeiro pain in the ass muito difícil de gramar até ao fim.
Deu origem a uma série com uma season de 14 episódios.

Maze Runner: The Death Cure | A Cura Mortal

Há uma epidemia que transforma as pessoas em zombies. Mas nem todas. Algumas são imunes. O que resta da humanidade vive numa cidade hi-tech rodeada por enormes muralhas que separam assim a civilização da barbárie e onde se tenta descobrir uma cura para a doença. Um grupo de jovens bárbaros vão entrar na cidade com o objectivo de resgatar outro jovem imune sobre o qual estão a ser conduzidas experiências cientificas.

Filme "fabricado" objectivamente para a clientela juvenil consumidora de pipocas. Muita gritaria e no fim vence a barbárie.

Flash Gordon

A Terra é assolada por uma série de cataclismos naturais a um ritmo e frequência anormais. A causa reside no planeta Mongo onde Ming The Merciless se entretem a brincar às alterações climatéricas com o planeta dos outros.
O tirano de Mongo irá receber a visita inesperada de Flash Gordon, uma estrela do futebol americano, Dale Arden, uma jornalista por quem Ming se vai apaixonar e do professor Hans Zarkov, todos dispostos a fazer-lhe a vida negra...

O maior mérito deste Flash Gordon, produzido numa altura em que o Star Wars parecia fazer lei nas histórias espaciais e no box office, foi precisamente não se ter colado aos tiques e truques da lucrativa ficção cientifica, permanecendo orgulhosamente fiel ao espirito da série original dos anos 30.
Fêz-lhe a actualização da cor, sendo agora possível deslumbrar-mo-nos com a beleza dos cenários hiper-coloridos dos palácios de Ming, Vultan e de Arboria, manteve o característico design retro, os efeitos especiais kitsh e as personagens icónicas foram interpretadas por grandes atores. A história, bastante linear, com "empolgantes" lutas e batalhas aéreas, foi enriquecida pela banda sonora fantástica dos Queen.
Tudo acessível para uma criança de seis anos mas também para a criança que há em nós e que rejubila com guilty pleasures como este.
Max Von Sidow está perfeito no papel de Ming e Ornella Muti, a devassa filha do tirano, ficava perfeita em qualquer papel!
Melhor homenagem a Flash Gordon, era díficil.

Jim & Andy: The Great Beyond - Featuring a Very Special, Contractually Obligated Mention of Tony Clifton


Quando Milos Forman decidiu fazer um filme sobre o comediante Andy Kaufman, estaria longe de imaginar que, ao escolher Jim Carrey para o papel de Andy Kaufman em Man on the Moon, iria entrar numa viagem mais ou menos insana que o levou provavelmente muitas vezes a considerar se conseguiria levar ao fim tal projeto.
A forma como Jim Carrey encarnou a personagem foi muito para lá do tradicional method, ele decidiu ser aquela pessoa que existiu no plano de uma ficção construída na base do real para além da construção física. Nesta base, Jim Carrey conta-nos em primeira pessoa - na pessoa que ele é hoje - a história por trás desse filme, Man on the Moon, que foi muito para além do filme em si. Neste documentário Jim & Andy: The Great Beyond, temos conhecimento de um outro filme. Através das imagens dos bastidores do filme de Milos Forman e no confronto com as imagens reais das performances de Kaufman e do seu alter ego Tony Clifton, tal documentação leva-nos a crer que houve uma espécie de reencarnação do comediante dadaísta em Jim Carrey, o que acabou por servir tal como uma consagração da vida para lá da morte. A forma como Jim Carrey exigia ser tratado no set, o comportamento do ator incorporando em permanência os devaneios, as inseguranças, os excessos e as brigas de Kaufman, funcionou assim para construir toda uma realidade absurda e caótica, fundamental para o filme.
Neste pressuposto, a interpretação de Andy por Jim, só poderia resultar num final feliz, embora tal interpretação/reencarnação me pareça ter sido puramente premeditada e racionalizada pelo próprio, apesar de residir nas explicações de Jim, uma tentativa de valorização de uma experiência do tipo metafisico, mas que no fundo foi uma forma beyond que serviu dar mais verdade a uma personagem única da comédia americana.

Alien: Resurrection | Alien: O Regresso

Com base no DNA recolhido no planeta onde decorreram os eventos do Alien 3, numa nave militar de pesquisas cientificas, Ripley é trazida de novo à vida. Para trazer também os aliens são necessários hóspedes humanos que são fornecidos por um grupo de mercenários do espaço…

Existe uma estranha unanimidade da crítica (e do público) quanto à qualidade deste 4º filme da saga. Presume-se que seja muito por culpa da visão mais excêntrica do realizador Jean Pierre Jeunet, do incompreendido toque “europeu” que lhe deu. É por isso injustamente um filme mal amado porque na realidade tem todos os ingredientes de um verdeiro filme Alien, com vários momentos antológicos, aquele onde temos uma relação mais íntima com o monstro que se revela em todo o seu esplendor!
E é o filme que nos dá precisamente a resposta às fascinantes questões “E se fosse o realizador do Le Fabuleux Destin d'Amélie Poulain a realizar um Alien ?” e “E se fosse diretor de fotografia, Darius Khondji, do Seven ?”
È também de todos os Alien aquele que tem a melhor banda sonora.

Iron Sky | Nazis Invasores

Durante uma missão espacial ao lado oculto da lua, um astronauta americano dá de caras com um gigantesco complexo nazi ali construído em segredo desde 1945. Preso pelos nazis lunares, o astronauta negro recebe um tratamento de arianização, ficando branco, louro e de olhos azuis. Vai voltar à terra na companhia de um nazi sem escupulos que além de conquistar o mundo, pretende ser o próximo fuhrer.

A ideia delirante tem origem em algumas teorias da conspiração existentes e a sua transposição para o grande ecran criava muitas expetativas.
O ponto forte de Iron Sky são os efeitos especiais. As sequências com os discos-voadores nazis e as naves zepelin a deslocarem-se no espaço estão ao nível das grandes produções de Hollywood. As cenas no interior da base lunar implicaram igualmente um muito competente trabalho digital e também a estética nazi foi bem explorada. Nota máxima, portanto, para a concepção artística.
O problema deste filme é a sua inconsistência. Apesar de algumas boas ideias, nunca se percebe bem
em que registo foi filmado. As cenas são desconexas, ora marcadas por apontamentos sexys, ora patetas, ora ridículos, em vários registos cómicos, por vezes de eficácia duvidosa, que não conseguem ser consequentes.
- Obrigado pequeno líder alienigena. Sem vocês nunca teria conseguido.
A personagem do fuhrer Udo Kier, que podia ser fulcral, é insipida.
Safa-se a actriz Julia Dietze que, não é por acaso, aparece destacada no cartaz do filme.

Hunter Prey

Uma nave despenha-se num planeta árido e desertico. Três militares sobreviventes vão perseguir a "criatura" prisioneira que transportavam e que também sobreviveu ao desastre. Recebem ordens para a capturar viva...

As armaduras e as máscaras dos soldados fazem lembrar a personagem Boba Fett da Guerra das Estrelas (e um bocadinho o Iron Man).
A história parece tirada de um episódio da "Twilight Zone" em versão extendida, ou apenas um pequeno fragmento de uma história maior que foi dissecado ao pormenor.
As personagens comportam-se de forma algo tosca nas cenas de ação (vulgo tiroteio e emboscadas) e o filme vive muito dos diálogos, demasiado retóricos, que decorrem primeiro entre os soldados e depois com a "criatura".
Esta produção independente foi rodada em apenas 18 dias com um orçamento limitadissimo. O resultado final impressiona.

Cargo

Com o planeta Terra impróprio para consumo, a humanidade vive em condições não muito agradáveis numa gigantesca estrutura orbital. Os mais felizardos conseguem ir para Rhea, um distante planeta edilico. Uma médica decidida a ganhar mais dinheiro para comprar uma passagem para aquele paraíso, enlista-se numa nave cargueiro que vai em missão até um local remoto do universo... Durante a viagem vai descobrir que o conteúdo da carga da nave não são materiais de construção, como supostamente devia ser...

Conceptualmente, Cargo é um filme muito interessante e fora do comum para uma produção independente. A estação espacial habitacional impressiona pelo detalhe e imponência e todos os cenários do filme estão muito bem concebidos.
O filme tem um ambiente talvez demasiado soturno, falta às personagens algum carisma e, à história, alguma dinâmica. Houve também inabilidade da realização na forma como foram filmados alguns momentos que poderiam ser de maior tensão ou espetacularidade.

Below | Maldição Submersa

Durante a Segunda Guerra Mundial a tripulação de um submarino americano recolhe três náufragos de um navio hospital afundado por um submarino alemão...
Além de uma mulher a bordo dar azar, estranhos acontecimentos começam a ocorrer e a paranóia instala-se entre alguns dos tripulantes...

Um muito competente filme de suspense, recriando com grande eficácia o ambiente claustrofóbico dos submarinos e com uma história com laivos sobrenaturais que decorre a um ritmo bem cadenciado.
Faltou-lhe apenas contar com um actor mais popular para que tivesse tido outra visibilidade que merecia.

Der Bunker

Um casal vive com o seu filho de 8 anos que parece ter 40, num bunker que parece uma casa. Recebem um estudante de física que parece de belas-artes, que aluga um quarto com vista para o betão. O estudante só pretende obter paz e sossego para se dedicar ao busão de Higgs.
Como parte do pagamento da renda, o estudante fica incumbido de dar aulas à criança que ainda mama e possui um incrivelmente baixo q.i. A mãe da criança, que costuma falar com um amigo imaginário, vai também servir de inspiração para o estudante...

Existem apenas quatro personagens neste filme que estabelecem entre si estranhas relações que só têm lógica na ilógica realidade contruída entre aquelas paredes.

Bunker, The

Algures nas Ardenas, no final da Segunda Guerra Mundial, depois de sofrerem uma emboscada, dois grupos de soldados alemães encontram refúgio num bunker. Julgando-se cercados e sem chances de escaparem, a sua única hipótese é procurarem uma saída através de uns túneis assombrados. Mas o maior problema que vão enfrentar é terem de lidar com os seus próprios fantasmas...

Um filme muito bem servido de actores mas com uma história pouco estimulante. Tinha todos os ingredientes para ser um filme muito mais assustador mas não diverte.

Automata

Depois de uma tempestade solar que se abateu sobre o planeta, a população terrestre é agora residual, vivendo num mundo degradado, vítima da regressão tecnológica ocorrida.
Existem no entanto milhões de robots com o objectivo de auxiliarem os humanos. Um agente de seguros especializado em apólices que cobrem eventuais danos e a manutenção dos robots, descobre que alguns deles parecem ter desenvolvido consciência...

Neste filme os comportamentos das personagens são os tipicos de adolescentes, o que desde logo levanta suspeitas sobre a idade dos autores do guião. Neste capítulo Banderas exagera. O Tim "Percy" McInnerny (do Black Adder), é outro. Depois temos uma lamentável aparição da ultra-plastificada Melanie Griffith, que parece muito mais a primeira dama lá do sítio do que propriamente a incógnita mecânica especializada em robots que vive numa instalação que mais parece um laboratório em Marte, isto em pleno super-degradado e pobre gueto!
A história do filme dava para uma curta-metragem simpática.

Natural Born Killers | Assassinos Natos

Oriundo de famílias disfuncionais, um jovem casal percorre os EUA deixando atrás de si um rasto de morte e violência que não é tão gratuita como aparenta...

Oliver Stone foi entre os anos 80 e 90 um dos mais surpreendentes realizadores norte-americanos, quer pelas temáticas fracturantes que introduziu no cinema mais mainstream, quer pela forma pouco convencional como fazia a abordagem cinematográfica.
Este Natural Born Killers será o melhor exemplo da irreverência criativa do realizador que aglutinou num só filme, por vezes numa só cena, diversas linguagens e estilos visuais, como se pintasse um quadro ora colorido, ora obscuro, recorrendo a óleos e aguarelas, toda uma panóplia de tintas e cores que habilmente consegue misturar.
O filme só peca pela abundância de personagens caricaturais que naturalmente ajudam a torná-lo mais leve, menos negro, ou de outra forma não chegaria ao grande écran dos cinemas.
O dedo toca na ferida, mas ao de leve. Não deixa de ser um filme marcante e provocador, fazendo uma incursão crítica e reflexão sobre a sociedade norte-americana intoxicada pelo poder subliminar da TV.
Julliete Lewis teve aqui o papel da sua vida.

Alien Abduction

Uma família constituída por pai, mãe e três filhos deslocam-se até às Brown Mountains para ali passarem uns dias acampados. O filho mais novo é autista e está constantemente a filmar tudo o que se passa.
Depois de testemunhar alguns fenómenos anormais, a família vai tomar contacto com extraterrestres do tipo grey...

A eficácia maior deste filme, onde temos sempre a perspectiva da filmagem feita pela criança, supostamente mais tarde encontrada pelos militares norte-americanos, reside no facto de nenhum dos atores ser conhecido. A história fica assim mais credível e quase que compramos a suposta veracidade das filmagens.
O filme começa com breves entrevistas a ufologos e habitantes da região (Brown Mountains) onde de facto desde há muitos anos que são relatados avistamentos de luzes no céu. Depois cria bons momentos de terror, protagonizados pelas aparições inesperadas dos temíveis alienígenas.

Jigsaw | O Legado de Saw

Um par de detetives e outro de legistas tentam impedir que mais um jogo mortal se desenrole. Chega a surgir a duvida se realmente John Kramer (Saw) está efectivamente morto e começam também a desconfiar uns dos outros...

E ao oitavo capítulo, finalmente um Saw que podemos ir ver ao cinema com a nossa mãe. É o capítulo mais bem servido de actores e o mais soft.
Mais uma vez há um jogo de tempo e espaço para baralhar as personagens e o espectador que, não sendo original, acaba por ser eficaz.

Resident Evil: The Final Chapter | Capítulo Final

Alice tem agora uma aliada inesperada, a Red Queen. O computador da Umbrela Corporation não pode tomar qualquer atitude contra a empresa mas pode dar uma ajuda a outros que o façam...
Dentro de 48h os últimos humanos sobreviventes serão aniquilados e então será libertado um anti-virus T que liquidará todos os zombies. Os humanos eleitos e saudáveis serão acordados do seu sono criogénico e tomarão conta da Terra. Alice vai apanhar "boleia" de dois carros de combate da UC que se dirigem para a Hive, trazendo atrás deles hordas de zombies...

Este suposto último capitulo deveria antes ter o sub-título "Revelações". Apesar de várias peças finalmente se encaixarem, a história parece que ainda não ficará por aqui...
É o visualmente mais espectacular de todos os Resident Evil, aquele onde seguramente os departamentos de efeitos especiais tiveram mais trabalho.
O realizador Paul W.S. Anderson volta a estar aos comandos do filme como peixe na água.

Alice Sweet Alice | Communion | A Máscara da Morte

Uma mãe divorciada vive sozinha com as duas filhas de temperamentos totalmente diferentes. A criança mais nova é um anjo enquanto a mais velha parece ser possuidora de uma personalidade malévola. Com o assassinato da mais nova, ocorrido no backstage duma igreja, enquanto decorre uma cerimónia, as suspeitas recaem sobre a pirralha!

Um filme que podia ter sido realizado por Hitchcock...
Com interpretações bastante histriónicas, tem uma série de cenas e diálogos pouco politicamente corretas, impensáveis nos dias de hoje no cinema mainstream.
O final deixa-nos com algum desconforto e uma continuação seria bem vinda.
Paula E. Sheppard foi muito bem escolhida para interpretar a criancinha malévola com laivos de "lolita". Estranho que só tenha feito apenas mais um filme, ao contrário de Brooke Shields que, no papel de irmã boazinha, com este filme viu lançada a sua carreia cinematográfica.
Destaque ainda para o ator Alphonso DeNoble, no papel de carismático pedófilo-pervertido obeso senhorio, que viria a falecer dois anos depois da estreia do filme.

Pay the Ghost

Uma criança desaparece no dia de Halloween quando estava com o pai numa festa na rua. Depois do desaparecimento os pais vão ter algumas visões e testemunhar algumas manifestações sobre-naturais que darão pistas e reavivar uma velha história dos primeiros colonos que explica o desaparecimento do filho.

A história é fraca, o título infeliz e temos Nicolas Cage a fazer um esforço inglório para não parecer o Nicolas Cage. 
A parte final do filme é mais surreal mas não chega para o tirar de um registo medíocre e sem vida.