Swallow parte de um título assumidamente (porno)gráfico e de uma premissa provocadora, com uma ideia inicial verdadeiramente apelativa, sustentada por um casting irrepreensível. Haley Bennett destaca-se de forma clara, oferecendo uma interpretação desconcertante, contida e magnética, capaz de prender o olhar mesmo nos momentos mais silenciosos. Há nela um je ne sais quoi que faz lembrar Scarlett Johansson, não por imitação, mas por uma presença física e emocional que parece prometer uma carreira maior, mais ousada e singular, e que muito provavelmente já estará no radar dos produtores de Hollywood.
No entanto, apesar do potencial, o filme acaba por se esgotar demasiado cedo. A narrativa torna-se previsível e excessivamente autocentrada no desfile quase fetichista dos objetos ingeridos, insistindo mais no impacto visual do que no aprofundamento psicológico ou simbólico do gesto.
Com isso, Swallow perde força dramática e transforma-se num exercício repetitivo, reduzindo a experiência do espectador a uma curiosidade limitada — não sobre o que a personagem sente ou enfrenta, mas apenas sobre qual será o próximo objeto a desaparecer-lhe pela garganta. O resultado é um filme formalmente elegante e bem interpretado, mas que falha em transformar a provocação inicial em algo mais substantivo, que provoque qualquer espécie de reflexão mais profunda.

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