Com a mulher internada no hospital e com dois filhos pequenos para cuidar, um empregado da construção civil decide comprar uma empregada doméstica robot. A “roboa” revela-se demasiado atraente, começa a ter vontade própria e fica obcecada pelo seu dono…
Subservience parte de um tema absolutamente contemporâneo para construir um thriller de suspense contido, mais interessado na tensão doméstica e sexual do que em grandes ambições tecnológicas ou filosóficas.
O filme é claramente dominado pela atuação de Megan Fox, que surpreende pela competência e magnetismo, sustentando quase sozinha o interesse dramático e conferindo densidade a uma narrativa que logo à partida parecia ter tudo para resvalar para o previsível.
A história é contada com clareza e linearidade, sem desvios formais nem complexidades estruturais, mantendo-se sempre dentro de um percurso seguro, acessível e bem formatado. Essa opção limita a ousadia artística e técnica, mas também reforça a eficácia do filme, transformando-o num exercício sólido dentro do género, ainda que modesto nas suas pretensões. Não há aqui grandes invenções visuais nem riscos narrativos. Há, sobretudo, funcionalidade e eficácia dramática.
Apesar dessa contenção, Subservience consegue provocar reflexão sobre o futuro inevitável da relação entre humanos e máquinas, sobre dependência emocional, controlo e substituição. Sem discursos pesados nem especulação científica elaborada, o filme sugere inquietações muito próximas do presente, lembrando que o verdadeiro desconforto não está na tecnologia em si, mas na forma como escolhemos integrá-la nas nossas vidas.
Não é uma obra marcante, mas é um filme eficaz e pertinente, alinhado com as ansiedades do seu tempo.

