1BR | Apartamento T1

Uma jovem rapariga decidida a começar uma nova vida aluga uma casa em Los Angeles. Os vizinhos aparentam ser muito simpáticos e recebem-na calorosamente mas na realidade constituem uma seita com uma peculiar filosofia de vida e já têm planos para ela. Estão decididos a fazer-lhe uma lavagem cerebral para que se torne em mais uma deles...

O filme funciona de forma surpreendentemente eficaz em dois registos distintos, mas complementares: como filme de terror e como alegoria social. No plano do horror, constrói uma atmosfera claustrofóbica e inquietante, explorando com precisão o medo do isolamento, da vigilância constante e da perda de identidade. No plano simbólico, revela-se ainda mais interessante ao expor os padrões de comportamento impostos pela maioria, questionando até que ponto a integração social exige submissão, silêncio e obediência cega a regras que raramente são discutidas, apenas aceites.

A comunidade apresentada em 1BR espelha uma versão distorcida, mas reconhecível, da sociedade moderna, onde o discurso da pertença e da harmonia serve de fachada para mecanismos de controlo e normalização. O terror nasce precisamente dessa banalidade organizada, da aceitação progressiva do inaceitável em nome da estabilidade. 

No final, fica no ar um claro cheiro a Twilight Zone, não tanto pela estética, mas pela sensação de parábola moral, de episódio que termina deixando uma pergunta incómoda no espectador: até que ponto estamos dispostos a abdicar da nossa individualidade para sermos aceites?

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