O filme vive dividido entre uma estética ocasionalmente inspirada e um argumento incapaz de sustentar a ambição do seu próprio disparate.
Visualmente, há motivos de interesse suficientes para prender momentaneamente a atenção, incluindo um plano verdadeiramente inesquecível — o da rapariga de minissaia filmada de trás, inclinada sobre a juke-box — e uma sequência de antologia em que uma velhota começa a falar com voz demoníaca e a passear-se pelo teto do bar, lembrando que o terror funciona melhor quando abraça o absurdo sem pudor.
No meio deste caos angelical, Dennis Quaid surge como o único ator capaz de emprestar alguma credibilidade à história, tentando ancorar o filme numa seriedade que o próprio guião parece rejeitar.
No entanto, Legion acaba por falhar redondamente na sua premissa central: convencer-nos de que anjos armados de metralhadoras, cheios de dilemas existenciais e bons à pancada, constituem matéria suficientemente cativante para algo mais do que um exercício visual pontualmente curioso.

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