Freaky assume desde os primeiros minutos aquilo que é: um filme de terror para teenagers, sem grandes pretensões de reinventar o género. O massacre inicial funciona quase como um aviso ao espectador: haverá sangue, exagero e personagens desenhadas a régua e esquadro para cumprir o manual do slasher moderno. Nada de particularmente surpreendente, mas tudo suficientemente eficaz para colocar a engrenagem a funcionar.
Onde o filme ganha algum fôlego é no tom híbrido entre o terror e a comédia. Há um claro prazer em brincar com a inversão de papéis, e é aí que Vince Vaughn se destaca. A escolha de um ator naturalmente desajeitado e fisicamente imponente para interpretar uma jovem tímida e insegura revela-se acertada. Vaughn entrega uma composição física convincente, caricatural sem ser completamente paródica, explorando gestos, posturas e expressões que sustentam o absurdo da premissa.
Do lado oposto, a atriz que assume o corpo da frágil adolescente possuída pela personalidade do assassino apresenta uma prestação surpreendentemente sólida. Consegue transitar entre vulnerabilidade e ameaça com uma fluidez que evita o ridículo e confere alguma credibilidade emocional a uma história que, por natureza, vive do exagero. É talvez aqui que Freaky mostra mais competência: quando permite que os atores levem a sério uma ideia que nunca se leva demasiado a sério a si própria.
No fim, Freaky não é mais do que promete, nem menos. Um exercício competente de entretenimento adolescente, consciente das suas limitações, que troca profundidade por ritmo e sangue por gargalhadas ocasionais. Não ficará para a história do cinema de terror, mas cumpre a sua função: divertir sem pedir demasiado ao espectador, nem fingir que está a dizer mais do que realmente diz.

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