Terminus

A vida não corre bem a um mecânico que vive numa cidadezinha perdida na América profunda. E nem por isso melhora quando decide tornar-se o guardião de um objeto caído do espaço que tem a capacidade de regenerar o corpo humano. 
Recomposto de um acidente automóvel e novamente com os dois rins, vai contar com a ajuda da filha e de um ex-militar veterano sem uma perna, que também vai largar a prótese, para esconderem o artefato alienígena de agentes de uma organização governamental que o perseguem... 

Mais uma demonstração clara da vitalidade do cinema independente norte-americano, capaz de revisitar com regularidade temas sociais contemporâneos através do filtro da ficção científica, sem recorrer a grandes orçamentos ou espetacularidade gratuita. 

O filme aposta num registo contido, quase íntimo, onde o elemento sci-fi funciona menos como motor narrativo e mais como ferramenta de reflexão, ancorando-se numa atmosfera simultaneamente nostálgica e realista. Essa nostalgia não nasce do saudosismo fácil, mas de um olhar melancólico sobre personagens deslocadas, presas a um presente incerto e a um futuro que nunca chega a cumprir as promessas feitas.

Ao privilegiar o quotidiano, os silêncios e as relações humanas, Terminus aproxima-se de uma tradição muito própria do cinema independente americano, onde a ficção científica serve para amplificar ansiedades sociais — isolamento, desorientação, perda de referências — em vez de as disfarçar. 

O resultado é um filme que não impressiona pelo espetáculo, mas pela coerência do tom e pela forma como articula o fantástico com o banal, reforçando a ideia de que, quando bem utilizado, o género continua a ser um dos meios mais eficazes para falar do presente sem o nomear diretamente.

Sem comentários:

Enviar um comentário

Outras críticas