Excision constrói-se em torno de uma personagem deliberadamente inestética e perturbada, à qual AnnaLynne McCord dá corpo com entrega total, explorando sem pudor a alienação, a obsessão e a sexualidade desviada. A sua presença domina o filme, mas é curiosamente Traci Lords, no papel da mãe, quem introduz algum equilíbrio e coesão emocional, funcionando como âncora num universo narrativo que tende constantemente para o excesso.
O filme aposta numa sucessão de imagens gráficas e fantasias grotescas que impressionam no imediato e deixam marcas visuais difíceis de ignorar; contudo, essa provocação raramente se traduz em verdadeiro aprofundamento temático. No final, Excision acaba por se revelar mais eficaz como exercício de choque estético do que como obra com substância duradoura, deixando o espectador com o imaginário saturado, mas com a sensação de que, por detrás do ruído e da ousadia, havia pouco mais para agarrar.

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