A ação é non-stop, os planos são delirantes e a câmara comporta-se como se tivesse ingerido cafeína em doses industriais, enquanto as balas voam em super-slow motion com uma vaidade quase artística, conscientes de que são as verdadeiras estrelas do espetáculo.
Não há pausas para respirar, refletir ou questionar escolhas de vida: há perseguições, tiroteios coreografados como videoclipes histéricos e um protagonista permanentemente à beira de um ataque de nervos, o que, curiosamente, funciona como combustível narrativo.
Mas o filme não vive só de ruído e pólvora. Pelo meio, Guns Akimbo consegue ser consistentemente divertido, disparando punch lines com a mesma frequência com que dispara munições, muitas vezes com um humor auto-consciente que sabe exatamente o quão absurdo tudo é.
Sem outras pretensões que não seja entreter do primeiro ao último minuto, o filme fá-lo com uma energia tão descarada que o espectador acaba por aceitar a proposta: desligar o cérebro, rir-se do exagero e apreciar o espetáculo como um jogo de computador violento que ganhou pernas e foi parar ao cinema.

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