Hunter Prey é um exemplo curioso e eficaz de ficção científica independente que consegue contornar as limitações (de budget) evidentes através de uma ideia bem definida e de uma execução surpreendentemente segura.
Visualmente, as armaduras e máscaras dos soldados evocam de imediato o imaginário de Star Wars, com claras reminiscências de Boba Fett e um leve toque de Iron Man, criando uma identidade estética familiar mas funcional.
A história, minimalista e concentrada, parece saída de um episódio da Twilight Zone em versão estendida, ou mesmo de um fragmento cuidadosamente isolado de uma narrativa maior, que o filme se propõe a dissecar com detalhe e paciência.
As cenas de ação revelam algumas fragilidades, com personagens a comportarem-se de forma algo tosca em tiroteios e emboscadas, mas o filme compensa essas limitações ao apostar fortemente nos diálogos, primeiro entre os próprios soldados e depois com a “criatura”, assumidamente mais retóricos do que naturais.
É nesse confronto verbal e moral que Hunter Prey encontra o seu verdadeiro interesse, deslocando o foco da ação para o debate ético e psicológico. Tendo sido rodado em apenas 18 dias, com um orçamento extremamente reduzido, o resultado final é impressionante, demonstrando como uma boa ideia, aliada a disciplina narrativa e ambição conceptual, pode produzir ficção científica digna mesmo longe dos grandes estúdios.


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