Hunter Prey

Uma nave despenha-se num planeta árido e desértico. Três militares sobreviventes vão perseguir a "criatura" prisioneira que transportavam e que também sobreviveu ao desastre. Recebem ordens para a capturar viva...

Hunter Prey é um exemplo curioso e eficaz de ficção científica independente que consegue contornar as limitações (de budget) evidentes através de uma ideia bem definida e de uma execução surpreendentemente segura. 

Visualmente, as armaduras e máscaras dos soldados evocam de imediato o imaginário de Star Wars, com claras reminiscências de Boba Fett e um leve toque de Iron Man, criando uma identidade estética familiar mas funcional. 

A história, minimalista e concentrada, parece saída de um episódio da Twilight Zone em versão estendida, ou mesmo de um fragmento cuidadosamente isolado de uma narrativa maior, que o filme se propõe a dissecar com detalhe e paciência.

As cenas de ação revelam algumas fragilidades, com personagens a comportarem-se de forma algo tosca em tiroteios e emboscadas, mas o filme compensa essas limitações ao apostar fortemente nos diálogos, primeiro entre os próprios soldados e depois com a “criatura”, assumidamente mais retóricos do que naturais. 

É nesse confronto verbal e moral que Hunter Prey encontra o seu verdadeiro interesse, deslocando o foco da ação para o debate ético e psicológico. Tendo sido rodado em apenas 18 dias, com um orçamento extremamente reduzido, o resultado final é impressionante, demonstrando como uma boa ideia, aliada a disciplina narrativa e ambição conceptual, pode produzir ficção científica digna mesmo longe dos grandes estúdios.

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