É um filme que exige do espectador uma sintonia muito específica com um cinema declaradamente teatral, excessivo e histriónico, onde praticamente todas as personagens parecem operar num estado permanente de neurose.
A encenação assume-se artificial desde o primeiro momento, com cenários estilizados, interpretações exaltadas e um tom operático que privilegia o choque e a provocação em detrimento da subtileza.
Trata-se de um estilo profundamente britânico, ancorado numa tradição teatral que aqui é levada ao extremo, transformando a histeria coletiva, o fanatismo religioso e a repressão sexual num espetáculo quase claustrofóbico. Apesar do seu estatuto cult e da ousadia temática, felizmente parece não ter feito escola.

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