Podia facilmente funcionar como episódio piloto de uma série, tal é a quantidade de caminhos narrativos e conflitos deixados em aberto. Em vez de recorrer a ameaças externas óbvias (zombies, vírus ou catástrofes espetaculares) o filme escolhe um terreno bem mais incómodo: os fantasmas pessoais, as neuroses acumuladas e as vidas mal resolvidas de um grupo de personagens isolados quando o mundo digital colapsa.
É nesse confronto íntimo, quase doméstico, que a narrativa ganha corpo, apoiada em personagens bem construídas, cada uma com passado, fragilidades e tensões próprias. O elenco, além de fotogénico, sustenta com eficácia este drama de fim do mundo contido, onde o verdadeiro apocalipse não acontece fora da casa, mas dentro de cada um, deixando a sensação de que a história termina precisamente quando ainda tinha muito para contar.

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