Pídeme lo que quieras | Pede-me o que quiseres

Uma jovem executiva madrilena, que está constantemente a encontrar a chefe a fornicar com um colega, conhece o chefe da chefe num elevador e é logo paixão à primeira vista. Só não dá logo ali molho porque a viagem de elevador é curta...

Pídeme lo que quieras (2024) é aquele tipo de filme que, em condições normais, se abandona ao fim do primeiro minuto. Aquele primeiro minuto que já explica tudo o que aí vem. Ainda assim, visto até ao fim, revela-se como uma espécie de “Sombras de Grey de terceira divisão”, com muito menos sofisticação, sem tensão real e sem qualquer complexidade emocional. 

Vamos assistindo a um jogo do gato e do rato (rata) que nunca deixa de ser uma farsa narrativa: o rato (pobre e deslumbrado) entrega-se sempre, o gato (rico e curioso) quase não precisa de se mexer, e o “jogo” reduz-se a uma sucessão de situações onde tudo é fácil, automático e previsível.

O guião parece saído da cabeça de uma adolescente hormonalmente instável, onde desejo é sinónimo de impulso imediato, profundidade emocional é substituída por poses sensuais e qualquer interação é pretexto para erotização. A lógica narrativa está assim muito próxima dos filmes pornográficos: personagens ninfomaníacas por defeito, situações artificiais, conflitos infantis ou inexistentes e uma progressão dramática baseada apenas na sucessão de estímulos. Tudo acontece sem fricção, sem resistência, sem complexidade psicológica, porque pensar atrapalha o ritmo da fantasia.

Enquanto cinema, o filme é vazio; enquanto narrativa, é pueril; enquanto drama erótico, é superficial. No máximo, pode servir como catálogo de sugestões visuais ou como inspiração básica para casais que queiram apimentar rotinas, mas isso diz mais sobre a sua utilidade prática do que sobre o seu valor cinematográfico. 

No fim, não sobra provocação, nem erotismo verdadeiro, nem reflexão, mas apenas um produto formatado, higienizado, previsível e emocionalmente descartável, feito para consumo rápido e esquecimento imediato.

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